
Por Silvana Santos 26/01/2026
O livro Dom casmurro do autor Machado de Assis, é um romance escrito em 1899, situado no Rio de Janeiro no momento de transição do Império para a República, da abolição da escravidão e das mudanças urbanas. O livro aborda sobre as mudanças sociais, política e culturais que ocorrem nesse momento.
A narrativa dentro desse cenário é o possível romance amoroso ente Bentinho, Capitu e Escobar. O narrador, Bentinho, conta sua história a partir de sua memória, compondo uma narrativa com lacunas e ambiguidades. Portanto, essas lembranças subjetivas, não visa uma reprodução fiel da realidade.
Um possível caminho de leitura crítica dessa obra é à luz do formalismo russo. Essa corrente surgiu nas primeiras décadas do século XX, com críticso como Viktor Shklovsky, que defende a análise literária centrada em aspectos formais da obra, como a estrutura, a linguagem e a construção dos enredos, afastando-se de histórias biográficas, psicológicas ou sociológicas.
A análise de “Dom Casmurro” na perpectiva do formalismo russo, privilegia os procedimentos formais que são vistas e organizadas na obra de Machado de Assis, valorizando o que os formalistas intitularam “literariedade”, o que faz com que o texto seja uma obra literária.
Para os formalistas, o efeito estético resulta de dispositivos formais que automatizam a percepção do leitor. No livro, existe a ambiguidade e a dúvida, Capitu traiu ou não Bentinho?, funcionando com um procedimento estético de desfamiliarização. A dúvida são sustentadas pelas informações dadas ao leitor e pelo caráter não confiável do narrador. Assim, a estrutura formal da narrativa, mobiliza a atenção estética do leitor, levando-o a um exercício interpretativo.
Outro ponto que o formalismo russo valoriza é a linguagem literária como sistema autônomo. Machado de Assis evidencia no romance a ironia, que cria expectativas e confere ambiguidade à narrativa e também a metalinguagem, que se configura reflexões do narrador sobre o ato de narrar, criando um jogo formal em que a linguagem se volta sobre si mesma. Esses recursos mostram, sob o ponto de vista formalista, Machado de Assis explora as possibilidades formais da linguagem literária.
O formalismo russo nos ensina que o valor literário de uma obra não está apenas no seu conteúdo temático, mas principalmente na forma como esse conteúdo é apresentado, como a organização do enredo, o uso da linguagem, as técnicas narrativas e os recursos estilísticos.
Essa perspectiva nos ajuda a perceber que a literatura não é apenas um espelho da realidade ou um meio de transmitir ideias, mas um trabalho artístico com a linguagem.
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Silvana Santos
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Silvana Santos
Mestra em Ciências Florestais e graduada em Engenharia Agronômica pela UFRPE, especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho pela UPE e Técnica em Segurança do Trabalho pelo IFPE.
Especializada em Docência em Educação Profissional e Tecnológica e licenciada em Docência na Educação Profissional Técnica de Nível Médio no IFPE, especialista em Linguagens suas Tecnologias e o Mundo do Trabalho na UFPI.

Aumentar o nível de qualidade dos profissionais de segurança do trabalho e promover o bem-estar aos trabalhadores é fundamental em todos os ambientes de trabalho.
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